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Dados de madeira com a transição para o ano de 2025 em meio a natureza

A constante evolução do ESG

20 de Diciembre de 2024

Estamos a poucos anos de 2030, etapa que marca o prazo estabelecido por diversas organizações e movimentos para atingir importantes metas relacionadas a sustentabilidade. É o caso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da ONU por exemplo, um esforço conjunto entre países-membros da organização, a sociedade civil, empresas e instituições que visa o desenvolvimento econômico, ambiental e social do planeta. No entanto, passados oito anos da criação da Agenda 2030, que engloba os ODS, apenas 15% da meta foi realizada, de acordo com o estudo Balanço Global dos ODS. Ainda podemos citar o Acordo de Paris sobre o clima, que também mira 2030 como limite, além de diversas empresas que também possuem essa data como uma meta seja para a descarbonização, NET Zero, ou outras resoluções.

 

Nos últimos anos, é notória a mudança significativa no interesse do mercado pelo tema da sustentabilidade, especialmente quando falamos em ESG (Ambiental, Social e Governança). Ainda recentemente a sustentabilidade era tida como uma trava para importantes áreas de negócios, que enxergavam essa questão como um obstáculo ao crescimento das empresas, porém a pandemia da COVID-19 influenciou drasticamente a mudança deste viés não apenas por parte de investidores mas também da sociedade, contribuindo para o aumento de 2.600% nas menções ao termo ESG entre 2019 e 2023, como apontado por pesquisas do Pacto Global da ONU. Além das evidentes emergências na pauta de mudanças climáticas, ficou claro que os temas de responsabilidade social e de governança corporativa também são fundamentais: nesse âmbito, 78,4% afirmam ter aderido a uma agenda ESG, de acordo com o Pacto Global.


 

Inovação e criatividade: ingredientes fundamentais de fortalecimento das marcas 

Uma pesquisa recente da consultoria Walk The Talk by La Maison analisou a percepção dos brasileiros em relação às iniciativas ESG de 50 empresas. Entre os resultados, um dado chama muito a atenção: 94% dos brasileiros têm a expectativa de que as empresas façam algo sobre ESG e acreditam que elas são obrigadas a agir em relação aos problemas. As maiores marcas dos setores de cosméticos, cuidados pessoais, alimentos, entre outros, foram pontuadas no índice que a consultoria considera alto na percepção dos pesquisados (entre 301 e 600 pontos).  

 

Isso só nos mostra o quanto o tema ESG passa a ser fundamental na corrida das empresas a se tornarem top of mind de seus consumidores, mas também que a criatividade desempenha um papel crítico para fortalecer o nome das empresas entre os consumidores e público no geral, com a inovação sendo altamente relevante para gerar resultados de impacto.  


 

Desafios devem impulsionar investimentos em sustentabilidade  

Mulher analisando dados de ESG em um tabletOs desafios para o cumprimento das diversas metas de sustentabilidade são muitos. Quando falamos de descarbonização, por exemplo, notamos organizações mais focadas na comercialização dos créditos de carbono do que nas regulações destas operações. Por essa falta de clareza na gestão de sustentabilidade, muitas empresas acabam enfrentando problemas como greenwashing, ou seja, a promoção de falsas práticas de responsabilidade socioambiental.  

Alinhar práticas ESG a uma jornada eficaz de sustentabilidade requer um empenho cuidadoso em governança corporativa para gerar uma percepção positiva do mercado financeiro e do mundo de como uma organização lida com a gestão de sustentabilidade. Já vivemos esses desafios quando atravessamos a fase de aceitação e adaptação da transformação digital, por exemplo: hoje, mais de 25% das organizações consideram a transformação digital como para os principais investimentos, segundo estudo da Fundação Dom Cabral. Em relação ao ESG, conforme aponta um levantamento global da Deloitte, 87% dos executivos já acreditam que investir em práticas sustentáveis tem benefícios a longo prazo.  

 

Outro desafio importante é o financeiro. Diversas organizações possuem dificuldades de traduzir esses investimentos e retorno para sua empresa em um ambiente ainda não regulado, e muito do que vemos em toda América Latina culturalmente ainda é pautado pelo que é regulamentação. A prevenção e o investimento em processos sem obrigatoriedade não é uma prioridade das agendas, e nosso desafio como sociedade e como empresas que lutam por essa transformação é romper essa barreira, desenhando soluções mais práticas e mais fáceis de serem implementadas, indo desde o pequeno empreendedor até as empresas mais estruturadas.


 

Atenção especial para a cadeia de suprimentos 

Em um levantamento recente da Amcham Brasil, a Agenda ESG foi uma das principais tendências para 51% dos empresários brasileiros em 2024, ao lado do tema Inteligência Artificial, indicando que devemos ver um aumento cada vez maior da valorização da sustentabilidade como ferramenta estratégica. Nessa perspectiva, entendo que a inovação é um desafio e, ao mesmo tempo, uma das melhores saídas para uma organização se provar comprometida com as práticas de ESG, com diversos exemplos ao redor do mundo incluindo investimentos para se obter a transparência nas cadeias de suprimentos.

 

Hoje um dos maiores desafios das grandes instituições é a rastreabilidade. A colaboração confiável com fornecedores é fundamental - já que cada parte envolvida nos processos produtivos tem um papel diferente no negócio -, e é por isso que no conceito de rastreabilidade estão grandes oportunidades para investimentos em sustentabilidade. Afinal, garantir o controle da origem de insumos e produtos conota a antecipação nos cuidados, gerando confiança e impactos cada vez mais positivos.

 

Temos muitos exemplos de empresas que enfrentam crises enormes por conta das vulnerabilidades em suas práticas ESG, desafios que poderiam ser evitados com uma boa gestão da cadeia e comprometimento com cada etapa produtiva. Esse é um ponto realmente sensível e, por isso, a legislação da União Europeia deve impactar o cenário de exportações em todo o mundo, influenciando outras regiões a seguirem a tendência de olhar a rastreabilidade como um fator decisório nas negociações comerciais. Essas mudanças nas relações comerciais internacionais não estão em um futuro muito distante, possibilitando que aqueles que se anteciparem na otimização dos seus processos levem vantagem valiosa.

 

Cumprir metas e prazos para atingir objetivos relacionados à sustentabilidade pode não ser uma tarefa tão acessível ou trivial, mas o comprometimento das organizações com as pautas sustentáveis é praticamente obrigatório. Neste sentido elas ganham credibilidade, diferencial e maior confiança quem se apoderar da inovação como ferramenta estratégica na gestão de sustentabilidade e aplicar os critérios ESG de forma integrada, unindo propósito aos negócios. Os muitos benefícios estendem-se à própria empresa, reforçando a longevidade da marca, uma vez que a adesão ao percurso da sustentabilidade transcende os requisitos regulamentares e aumenta a confiança dos investidores. 

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Andressa Lisboa_Diretora de Certificação e Sustentabilidade

Andressa LisboaDiretora de Certificação e Sustentabilidade