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Prédio em volta das árvores

Avanços e Desafios: Entenda o Panorama das Finanças Sustentáveis e a Perspectiva da COP30 no Brasil

14 de Maio de 2025

Nos últimos anos, o tema das finanças sustentáveis conquistou um protagonismo cada vez maior no cenário global, especialmente diante da necessidade de custear o combate à mudança climática. Na nova edição do BV Cast: Mudança Climática na Perspectiva das Finanças Sustentáveis, os especialistas Leonardo Gava, da Climate Bonds Initiative, e a Gerente Executiva de Sustentabilidade do Bureau Veritas, Camila Chabar, explicam os pontos principais dessa pauta.  

Desde o Acordo de Paris, os países se comprometeram a estabelecer metas de redução de emissões para conter o aquecimento global em 1,5°C até 2028. Para atingir esse objetivo, são necessários recursos que subsidiem projetos sustentáveis, renováveis e a transição para uma economia de baixo carbono. Leonardo Gava, expert em clima e sustentabilidade menciona, “a transição tem um custo elevado e sua fonte de financiamento pode vir de várias frentes, uma delas são as finanças sustentáveis”.

Este esforço implica mobilizar bilhões de dólares em investimentos, sobretudo por meio de títulos verdes e outros instrumentos financeiros rotulados, que direcionem recursos especificamente para atividades com ganhos ambientais. No Brasil, o avanço na emissão desses títulos já é notório, somando quase 6 trilhões de dólares, que destacam o crescimento em setores estratégicos como o agrícola e o florestal.

Taxonomia de Finanças Sustentáveis: oferecendo credibilidade e segurança

Um dos pontos centrais que vem ganhando atenção é a implementação da taxonomia brasileira para finanças sustentáveis. Trata-se de um guia que define quais atividades podem ser consideradas sustentáveis no contexto nacional, criando critérios claros para a emissão de títulos verdes ou socialmente responsáveis. “A taxonomia é um guia que define o que são atividades verdes. Por exemplo, a agricultura está incluída na taxonomia, mas só é considerada verde se atender a determinados critérios.” explica Leonardo.

A importância dessa ferramenta fundamenta-se em garantir transparência, segurança e reduzir os riscos de greenwashing, prática em que empresas ou ativos são rotulados como sustentáveis de forma enganosa. Camila Chabar, autoridade em sustentabilidade no Bureau Veritas, reforça: “O investidor precisa de segurança e certificações como a da Climate Bonds Initiative, que existem justamente para oferecer essa robustez, garantindo que todo valor investido esteja, de fato, sendo atribuído a fundos e projetos sustentáveis. Esse rigor aumenta a confiança tanto de investidores quanto de emissores, o que é fundamental para escalar esse mercado”.

COP30 e a Perspectiva para o Brasil

Outro tema que permeia o cenário atual é a realização da COP30, em novembro deste ano, na Amazônia, em Belém do Pará. Este evento será uma oportunidade singular para o Brasil consolidar sua posição na esfera internacional de ações climáticas.  

Camila Chabar destaca a relevância desse encontro, "A COP30 será um momento para Peças de madeiras circulares empilhadas com símbolos sustentáveis.traçar estratégias, mostrar avanços e atrair investimentos responsáveis em projetos sustentáveis". Ela aponta que, embora o Brasil tenha atrasado sua entrada no mercado de títulos, a trajetória recente mostra um avanço expressivo. Ainda assim, há desafios a serem enfrentados, como a regulamentação eficaz da taxonomia, a redução do risco de greenwashing e a ampliação da emissão de títulos certificados de alta credibilidade.

“O próximo grande passo para que a taxonomia seja realmente efetiva é regulamentá-la corretamente, implementando-a como deve ser, para que exerça a pressão necessária, mas também atraia oportunidades reais para o mercado” Acrescenta Leonardo.

O futuro exige ação imediata

Fica evidente que o Brasil possui uma estrutura sólida e potencial para liderar o mercado de finanças sustentáveis na América Latina, especialmente com a implementação de uma taxonomia nacional robusta. Para aproveitar essa oportunidade, é imprescindível aprimorar as regulações, ampliar a emissão de títulos certificados e promover uma comunicação transparente e tática.

“Ainda há muito a ser feito. Avançamos bastante nos últimos anos em financiamento climático, mas ainda estamos longe do que é necessário. O momento exige ação coordenada de todos os atores — governo, setor privado, investidores e sociedade — para que 2025 marque um ponto de virada rumo a uma economia mais verde, inclusiva e resiliente” Aponta Leonardo Gava.

A combinação de ações internas, como o desenvolvimento de metas de emissões e a estruturação de instrumentos financeiros confiáveis, com o alinhamento internacional promovido pela COP30 tem o potencial de impulsionar o Brasil a um novo patamar de sustentabilidade financeira e ambiental. A realização de um evento dessa magnitude no país reforça esse movimento, colocando o Brasil na linha de frente das ações globais contra a mudança climática e reafirmando seu compromisso e capacidade de liderar transformações significativas rumo a uma economia mais verde e resiliente.

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